Nove em cada dez adultos que fumam iniciaram o vício bem antes dos 18 anos.
Os dados do Ministério da Saúde são de deixar os pais de cabelo em pé. Seis em cada dez crianças entre 10 e 14 anos já deram suas tragadas. Nessa faixa etária, o número das que fumam diariamente chega a 400 mil. Somando todos os jovens em idade escolar, ou seja, entre 10 e 18 anos, cerca de 3 milhões.
Na adolescência, ocorre a fase das dúvidas, das transformações e da necessidade de aceitar a si mesmo e de ser aceito pelos outros, e o cigarro é usado para superar esta fase conturbada. A maioria dos fumantes começa a fumar entre 13 e 16 anos, pois é neste período que muitos adolescentes começam a buscar no cigarro um apoio para momentos de dificuldade, para superar a timidez e conflitos de relacionamento, enfrentar as mudanças, pressões e exigências e, ainda, para buscar a própria independência ou pela simples imitação de comportamento.
Um cigarro contém mais de 350 substâncias químicas nocivas dos quais mais de 35 são cancerígenos. O tabagismo é responsável por 30% das mortes por câncer em geral, 90%
das que ocorrem por tumores de pulmão e 25% das provocadas por infarto e derrame.
Se o melhor amigo de seu filho é um fumante, em seguida, o adolescente é 13 vezes mais propenso a fumar. Se qualquer um dos pais fuma, seus adolescentes são duas vezes mais propensos a fumar. Conforme o levantamento, em 2001, 69,4% adolescentes que fumam nunca foram convidados para a prova de idade, quando comprou cigarros de uma loja.
Mais chocante, de acordo com a mesma pesquisa, 62,4% adolescentes não foram impedidos de comprar cigarros, mesmo que o dono da loja soubesse que eles ainda não tinham 18 anos.
Tanto os pais quanto os educadores enfrentam um dilema: como abordar esse assunto sem chatice ou, como diriam os jovens, sem caretice. Dizer simplesmente um não bem redondo ou, pior, ameaçá-los caso insistam no hábito tem efeito contrário, adianta o oncologista José Clemente Linhares, do Instituto de Oncologia do Paraná, em Curitiba. Segundo ele, é possível tratar essa questão pesada de uma maneira leve.
Ele e um grupo de teatro escreveram uma peça sobre o tema que já foi apresentada a mais de 15 mil adolescentes de escolas públicas, particulares e outras instituições.
A encenação mostra o que nos faz procurar o cigarro e explica que devemos ser mais fortes do que a influência dos amigos ou da mídia, resume. Depois da apresentação os jovens debatem o assunto e escrevem depoimentos com sua opinião.
Participar efetivamente da vida dos filhos e isso significa, entre outras coisas, acompanhar de perto seu desenvolvimento e conhecer bem seus amigos ajuda a afastar o cigarro de casa. Em geral os estudantes passam a fumar porque precisam sentir que fazem parte do grupo, sobretudo se a maior parte da turma já dá suas tragadas.
Fonte: Revista Saúde - Editora Abril